focosh@focosh.com.br
(45) 98813-1115
Você está em: Página Inicial > Policial
Delator diz que empresas acertaram repasses a grupo de Beto Richa para vencer licitação no programa Patrulha do Campo
Celso Frare disse em depoimento que pagamento deveria ser de 8% do valor bruto dos contratos ao grupo político do ex-governador; esquema é investigado pela Operação Rádio Patrulha
Por G1 | Postado em: 18/05/2019 - 06:36

Mais Imagens

O empresário e delator Celso Frare, ex-dono da empresa Ouro Verde, afirmou que as empresas vencedoras de licitações do programa Patrulha do Campo fecharam um acordo no qual deveriam repassar 8% do valor bruto dos contratos ao grupo político do ex-governador Beto Richa (PSDB).

Frare detalhou em sete depoimentos, homologados pela Justiça, como funcionava o esquema de entrega de propina em contrapartida para que empresas vencessem as licitações. O caso é investigado pela Operação Rádio Patrulha.

O programa foi criado durante a gestão do ex-governador Beto Richa para a manutenção de estradas rurais entre os anos de 2011 e 2012.

De acordo com a denúncia, foram repassados R$ 8,1 milhões em propina. O empresário confirmou quatro repasses em dinheiro vivo.

Celso Frare detalhou em delação que as irregularidades era acertadas com funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) e Pepe Richa, que na época era secretário estadual de infraestrutura.

Na delação, Frare disse que foi combinado que as empresas Cotrans, Ouro Verde e J. Malucelli venceriam a licitação. Segundo o empresário, cada uma ficaria com um lote do programa.

Ainda durante o depoimento, o delator afirmou que uma quarta empresa entrou na concorrência e venceu um dos lotes.

Conforme Frare, a empresa era a Terra Brasil, que, de acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), pertencia ao ex-secretário estadual de Assuntos Estratégicos Edson Casagrande. A entrada da Terra Brasil no programa deixou de fora dos lotes a J. Malucelli.

Mesmo assim, segundo o delator, a empresa de Joel Malucelli trabalhou no programa, mesmo sem vencer a licitação, por causa de um acordo feito entre os empresários.

 

"Daí a gente fez um trato com o Joel: 'se eu ganhar a concorrência, eu te dou uma das patrulhas pra você, te passo a parte da patrulha pra você. E se você ganhar a concorrência, você passa pra mim'.", disse Frare.

 

Um dos depoimentos dados por Celso Frare está sob sigilo. Neste depoimento, segundo apuração feita pela RPC, o empresário explica o esquema feito com o empresário Joel Malucelli para compensá-lo, já que a J. Malucelli não venceu nenhum lote da licitação.

As informações fazem parte de um inquérito do MP-PR que investiga o esquema de lavagem de dinheiro na Operação Rádio Patrulha.

Operação Rádio Patrulha

 

Além da prisão de Celso Frare, a Operação Rádio Patrulha também foi responsável pelas prisões do ex-governador Beto Richa, o irmão dele, Pepe Richa, o empresário Joel Malucelli, além de outras sete pessoas.

Beto Richa foi preso no dia 11 de setembro de 2018 e solto quatro dias depois após habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Eles são acusados pelo MP-PR por crimes como corrupção e fraude à licitação num esquema que envolve mais de R$ 100 milhões pagos a empresas investigadas.

A empresa Ouro Verde fez um acordo de leniência se comprometendo a devolver R$ 33 milhões para compensar fraudes no Programa Patrulha do Campo.

 

O que dizem os citados

 

A defesa do ex-governador Beto Richa afirmou que as acusações de Celso Frare são infundadas e que o empresário fez delação para não ser preso e diminuir os valores dos prejuízos que causou ao Estado.

Os advogados de Pepe Richa afirmaram que os relatos não são verdadeiros e que lamentam que um criminoso confesso receba credibilidade sem apresentar provas. A defesa afirmou também que Pepe Richa confia na Justiça e continua à disposição para esclarecer os fatos.

A defesa de Edson Casagrande informou que vai se manifestar depois que tiver acesso à integra da delação.

O advogado da empresa Terra Brasil afirmou que vai mostrar que a licitação foi lícita e que não houve nenhum crime.

O DER-PR afirmou que os fatos investigados aconteceram na gestão passada e que a nova administração tem colaborado com a Justiça.

A defesa de Joel Malucelli e da empresa J. Malucelli informou que é tecnicamente impossível ter havido qualquer irregularidade porque foi uma licitação muito concorrida. Ainda conforme a defesa, Joel Malucelli jamais teve qualquer contato com agentes públicos sobre esse assunto.

Tony Garcia afirmou que os fatos revelados na delação de Celso Frare apenas confirmam o que ele já tinha apresentado à Justiça.

A defesa de Celso Frare afirmou que seu cliente está à disposição das autoridades competentes para qualquer esclarecimento dos fatos.

 

Últimas Notícias
Policial 13 Jun às 09:30
MPF divulgou nota afirmando que 'diálogos inteiros podem ter sido forjados' depois de um invasor se passar por integrante do Conselho Nacional do Ministério Público
Policial 08 Jun às 09:51
Hachmann é apontado como líder uma organização criminosa que, entre outros fraudava licitações para favorecer empresas do parlamentar registradas em nome de terceiros em Marechal Cândido Rondon
Policial 03 Jun às 09:42
De acordo com a polícia, carga vinha do Paraguai. Motorista abandonou o carregamento e fugiu
Policial 31 Mai às 10:06
Operação foi deflagrada nesta sexta-feira (31); há 12 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão
Policial 28 Mai às 09:30
Ação foi deflagrada nesta terça-feira (28). Quatorze pessoas foram presas no início desta manhã
Policial 28 Mai às 09:27
Na sexta-feira (24), a Justiça tinha determinado a execução provisória da pena imposta ao ex-deputado imediatamente
Policial 24 Mai às 07:44
Segundo os policiais, Tiago Pereira Maciel apresentou um documento com nome falso; Vendelino Royer foi morto a tiros em julho de 2008
Policial 24 Mai às 07:40
Nilson Hackmann (PSC) foi preso em uma operação do Gaeco em Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná
Policial 22 Mai às 13:48
Orivaldo Malaggi, que comandava a Secretaria de Obras e Viação de São Miguel do Iguaçu, está preso desde o dia 22 de março
Policial 21 Mai às 07:25
Defesa chamou 51 testemunhas para serem ouvidas no processo. Destas, 48 moram em cidades do interior do estado. Em abril, STJ determinou que processo seja julgado pela Justiça Estadual do Paraná
Tecnologia e desenvolvimento